Complexo da Pampulha
Corria o ano de 1943 e, enquanto a Europa se encontrava conflagrada pela Segunda Guerra Mundial, Belo Horizonte confirmava sua vocação inata para a modernidade, com a inauguração do complexo arquitetônico da Pampulha. Na orla da lagoa criada artificialmente pelo prefeito Octacílio Negrão de Lima, com a construção de uma barragem de 11,5 metros de altura poucos anos antes – estrutura que Juscelino Kubitschek elevaria para 16,5 metros -, a cidade ganhava um conjunto de obras modernistas que a projetariam nacional e internacionalmente.
Niemeyer fez da Pampulha o berço de sua arquitetura, com os traços arrojados do Iate Tênis Clube, da Casa do Baile, do Cassino e da igreja de São Francisco de Assis, esta considerada na época tão atrevida pela Arquidiocese, que demorou mais de década para ser consagrada.
Ao completar 70 anos, o conjunto arquitetônico e paisagístico da Pampulha está a caminho de se tornar Patrimônio Cultural da Humanidade. Em dezembro do ano passado, a Prefeitura de Belo Horizonte, por meio da Fundação Municipal de Cultura, retomou a candidatura ao título, formalizada na Unesco desde 1996. O complexo da Pampulha já é tombado nas esferas municipal, estadual e federal, sendo reconhecido e protegido pelo Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural de Belo Horizonte, pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG) e pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Agora, a PBH, em parceria com os governos estadual e federal, empreende novos esforços para a revitalização do conjunto, intensificando e dando sequência às iniciativas já em curso para transformar esse patrimônio dos belo-horizontinos, mineiros e brasileiros em Patrimônio Cultural da Humanidade.
Oscar Niemeyer
Oscar Niemeyer (1907/2012) é o maior expoente da arquitetura modernista brasileira. Nascido no Rio de Janeiro, em 1907, formou-se na Escola de Belas Artes, na mesma cidade e ganhou notoriedade internacional pelas formas curvas que aplicava em suas construções.
Niemeyer começou a trabalhar como estagiário junto a Lúcio Costa e Le Corbusier no projeto do novo edifício do Ministério da Educação, o Palácio Gustavo Capanema . Seu primeiro grande projeto individual, e que lhe assegurou renome no Brasil e no mundo foi o complexo da Pampulha, em Belo Horizonte.
Logo após a Segunda Guerra Mundial, a ONU resolveu erguer uma sede em Nova Iorque. E em vez de anunciar um concurso para o projeto do complexo, preferiu montar uma equipe de arquitetos de diversos países para a composição do projeto. O arquiteto americano Wallace Harrison foi o diretor de planejamento e os governos dos países indicaram seus representantes.
A equipe de arquitetos consistiu em N.D. Bassov (União Soviética), Gaston Brunfaut (Bélgica), Ernest Cormier (Canadá), Le Corbusier (França/Suíça), Liang Ssu-cheng (China), Sven Markelius (Suécia), Oscar Niemeyer (Brasil), Howard Robertson (Reino Unido), G.A. Soilleux (Austrália) e Julio Villamajo (Uruguai).
Mas o projeto que realmente colocou Niemeyer num patamar único foram os edifícios de Brasília, cujo projeto urbanístico foi desenhado por Lúcio Costa. Este convidou o arquiteto com quem já trabalhara no edifício do MEC para projetar todos os edifícios públicos da nova capital – e modelar também os prédios das superquadras residenciais.
Le Corbusier
Charles Edouard Jeanneret-Gris foi um arquiteto e pintor franco-suiço que se tornou uma das figuras mais importantes da arquitetura no século XX. Adotou o pseudônimo profissional “Le Corbusier” por causa do sobrenome de sua avó materna. Teve grande influência para a formação da geração modernista de arquitetos brasileiros.
Le Corbusier desenvolveu extensa atividade acadêmica e teórica e publicou muitos artigos sobre seus estudos arquitetônicos. Admirador da arquitetura da Grécia Antiga, estudou os usos da razão áurea e da sequência de Fibonacci.
Veio para o Brasil a convite de Lúcio Costa em 1936, para prestar consultoria no projeto do Palácio Gustavo Capanema. Suas ideias tiveram muita sobre a equipe, que além de Lúcio Costa, tinha nomes como Oscar Niemeyer e Roberto Burle Marx. Ainda associado com Oscar Niemeyer, em 1949, Le Corbusier é escolhido como responsável pelo projeto da sede das Nações Unidas, em Nova Iorque.
Como urbanista, propôs um novo arranjo urbano que se adequasse à vida moderna. É dele a ideia de criação de bairros-jardim, para as classes mais ricas.
Como arquiteto, propôs a utilização de novos materiais, como o concreto armado.
Modernismo
O modernismo brasileiro foi um amplo movimento cultural que repercutiu fortemente sobre a cena artística e a sociedade brasileira na primeira metade do século XX, sobretudo no campo da literatura e das artes plásticas. O movimento no Brasil foi desencadeado a partir da assimilação de tendências culturais e artísticas lançadas pelas vanguardas europeias no período que sucedeu a Primeira Guerra Mundial, como o Cubismo e o Futurismo. As novas linguagens modernas colocadas pelos movimentos artísticos e literários europeus foram aos poucos assimiladas pelo contexto artístico brasileiro, mas colocando como enfoque elementos da cultura brasileira. Considera-se a Semana de Arte Moderna, realizada em São Paulo, em 1922, como ponto de partida do modernismo no Brasil.
No mundo o Movimento Moderno foi “liderado”por arquitetos como Vies Van Der Rohe, Frank Loyd Right, Oscar Niemeyer e o Suiço Charles-Edouard Jaenneret-Gris, mais conhecido como Le Corbusier. Este último desenvolveu uma teoria acerca do modernismo, na qual se destacam os 5 pontos da arquitetura modera, chadados de 5 pontos de Le Corbusier. São eles: 1) Pilotis; 2) Terraço Jardim; 3) Planta livre; 4) Janela em fita; e 5) Fachada livre.
O Brasil foi um país inovador ao desenvolver a arquitetura moderna, isso permitiu que o Brasil fosse mundialmente reconhecido. Um dos responsáveis por este reconhecimento foi o arquiteto Oscar Niemeyer.
Museu de Arte da Pampulha
Projetado para ser um cassino no início da década de 1940, durante a administração do prefeito Juscelino Kubitschek, o prédio que abriga hoje o Museu de Arte da Pampulha (MAP) foi o primeiro projeto de Oscar Niemeyer para o Conjunto Arquitetônico da Pampulha. Sua concepção foi influenciada pelos princípios funcionalistas do arquiteto Le Corbusier. Os jardins que circundam o prédio, criados pelo paisagista Roberto Burle Marx, têm como característica principal sua composição de formas sinuosas, com grandes blocos ou manchas de cores, construídas com espécies da nossa flora brasileira. Ao paisagismo de Burle Marx foram incorporadas as estátuas de Ceschiatti, Zamoiski e José Pedrosa. Tão logo foi inaugurado, na década de 1940, o local passou a atrair jogadores de todo o Brasil, transformando a vida noturna de Belo Horizonte, movimentando uma região que não era tão povoada. Com a proibição do jogo no Brasil em 1946, o prédio do Cassino esteve fechado por cerca de dez anos. Em 1957 foi criado o Museu de Arte. Datam dessa época as primeiras doações de obras que hoje compõem o acervo do Museu. Destacam-se trabalhos de Alberto da Veiga Guignard, Emiliano Di Cavalcanti, Ivan Serpa, Tomie Ohtake, Franz Weissman e Amilcar de Castro, além de uma significativa coleção de gravuras brasileiras, que conta com importante produção de Oswaldo Goeldi. Outra parte da coleção é procedente dos prêmios dos Salões de Arte, que tiveram grande repercussão e influência nas décadas de 1960 e 1970. O acervo com cerca de 1.500 obras é mostrado ao público periodicamente, em exposições produzidas para espaços culturais da Capital e de outras cidades mineiras. O Museu é tombado nas esferas municipal, estadual e federal.








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